Eu nunca usei a inteligência artificial para criar. Uso para começar.
Existe uma diferença enorme entre as duas coisas e demorei um tempo para entender isso. Quando comecei a experimentar ferramentas de IA no processo de comunicação da PraSer Objetos, a primeira reação foi de frustração. As respostas eram genéricas, polidas demais, sem textura. Nada que eu quisesse usar diretamente.
Mas foi exatamente aí que algo mudou.
Percebi que a IA não precisava me dar a resposta certa. Ela precisava me dar um ponto de partida ruim o suficiente para eu reagir. E quando eu reajo, é a minha voz que aparece.
O exemplo mais claro: os Guardiões
Certa vez, pedi para a IA me ajudar a descrever uma escultura em madeira resgatada. A resposta veio cheia de clichês: "peça única", "feita à mão com amor", "arte que transforma ambientes". Nada que eu reconhecesse como meu.
Mas no meio daquele texto genérico, uma estrutura me chamou atenção: a repetição da ideia de que cada objeto conta uma história.
Não era a frase em si. Era o que ela provocou em mim.
Comecei a escrever por cima, apagando tudo e recomeçando do zero, mas com aquela faísca. E foi assim que nasceu a ideia que define os Guardiões: cada escultura em madeira resgatada carrega uma biografia própria e um propósito, uma função simbólica que ela assume na vida de quem a recebe.
Não são objetos decorativos. São presenças. Cada Guardião chega com um certificado de autenticidade que conta quem ele é e o que veio guardar.
Essa ideia não veio da IA. Veio do atrito com ela.
Por que isso importa para quem cria
A inteligência artificial é boa em padrões. Ela sabe o que a maioria das pessoas diz sobre um determinado assunto. E é exatamente por isso que ela é útil para mim: me mostra o caminho mais óbvio, para que eu possa escolher outro.
Uso a IA para:
- Gerar um primeiro rascunho que eu vou reescrever completamente
- Testar estruturas de texto antes de decidir o tom
- Encontrar o que não quero dizer e chegar mais rápido ao que quero
O resultado nunca é o que a IA produziu. É o que eu produzi depois de me irritar com ela.
Objetos que guardam histórias e o processo que os cria
Cada Guardião da PraSer Objetos nasce de madeira resgatada, árvores que caíram, galhos que o tempo moldou, troncos que carregam décadas de silêncio.
Esse processo criativo, de partir do imperfeito, do bruto, do inesperado, é o mesmo que uso com a IA. Não busco a resposta pronta. Busco o ponto de resistência que me faz criar algo verdadeiro.
Se você quiser conhecer os Guardiões, cada um com seu certificado de autenticidade e sua história particular, a coleção completa está aqui: ver coleção Guardiões →